Modernização

O termo modernização é, a priori, conotado positivamente. O Robert define-o assim: “a ação de organizar de maneira conforme com as necessidades e com os meios modernos. A sociologia evolucionista sempre considerou a modernização como o processo de transformação das sociedades entrando na era industrial, etapa necessária e indispensável para aceder ao desenvolvimento econômico, à democracia, à prosperidade. De fato, esta sociologia foi combatida pela crítica da universalidade destes processos. Preferiu-se utilizar o termo modernização para estudar as estratégias seguidas pelos países em vias de desenvolvimento, para chegar à construção de uma sociedade moderna à ocidental. A rejeição da primeira concepção, afinal historicista, acabou por construir a modernização já não como a resultante de uma lei da evolução mas, sim, como um modo de re-utilização e de redefinição das estruturas tradicionais para fazer face aos espaços da modernidade. Entendendo-se que a modernização é muito raramente um processo de mudança planeado e controlado.

Raymond Boudon e François Bourricaud caracterizam a modernização como um processo de três faces: mobilização, diferenciação, laicização. O primeiro termo é tomado de K. Deutsch que isolou um certo número de indicadores capazes de permitir apreciar a facilidade e a rapidez com que os bens, as pessoas e as informações circulam no interior de uma mesma sociedade. A mobilização significa, de fato, a instauração da livre circulação entre os indivíduos: deslocamentos de populações, circulação dos saberes, transferências de qualificações, autonomia em relação à esfera parental etc.

A modernização implica, igualmente, uma renovação do modo de divisão do trabalho social. Instituições como a burocracia e, sobretudo, a empresa, são modernas, no sentido em que pretendem, pelo menos em teoria, distinguir os indivíduos segundo o contributo que dão a uma tarefa socialmente valorizada, mais do que segundo as suas origens e as suas filiações familiares e locais. Enfim, a laicização implica uma separação instituída entre a Igreja (e também o Estado) e, por outro lado, as instituições de investigação e de ensino.