Segundo o Robert, a identidade é “o caráter do que permanece idêntico a si próprio”. Esta definição esconde, de fato, duas acepções que P. J. Labarrière põe em evidência no Diccionnaire des notions philosophiques. Caráter do que é idêntico, quer se trate da relação de continuidade e de permanência que um ser mantém consigo mesmo, através de variação das suas condições de existência e dos seus estados ou de relação que faz com que duas realidades, diferentes sob múltiplos aspectos sejam, contudo, semelhantes e mesmo equivalentes, sob este ou aquele aspecto. A identidade cultural designará então o fato, para uma realidade, de ser igual ou semelhante a outra na partilha de uma mesma essência. A noção de identidade é utilizada tanto em psicologia como em antropologia. Para o psico-sociólogo Pierre Tap, a identidade, pessoal diz respeito, num sentido restrito, “ao sentimento de identidade, quer dizer, ao fato de o indivíduo se encarar como o mesmo, permanecer o mesmo no tempo”. Num sentido mais amplo, aparenta-se ao sistema de sentimentos e de representações pelo qual o sujeito se singulariza. A minha identidade é, portanto, aquilo que me torna semelhante a mim mesmo e diferente dos outros; é por isso que me sinto existir, tanto nas minhas personagens (propriedades, funções e papéis sociais) como nos meus atos de pessoa (significado, valores, orientações). A minha identidade é aquilo através do qual me defino e me conheço, aquilo por que me sinto aceito e reconhecido como tal pelos outros.
Para a antropologia, Nicole Sindzingre escreve “a questão da identidade é inseparável da individuação”, ou seja, da diferenciação de classes ou de elementos de classes do mesmo nível. Para identificar um ou mais seres perante outros é preciso distingui-los bem de tudo aquilo que eles não são; e ao contrário, para apreender um indivíduo singular, é preciso supor a sua identidade histórica. De fato, a identidade é um conceito que permite definir o resultado da atividade de constituição do eu. A identidade é uma síntese do eu submetido a diferentes aspirações e temporalidades, a diferentes estratégias e relações sociais. A identidade é um sistema de representações, de sentimentos e de estratégias, organizado para a defesa conservadora do seu objeto (o ser “si próprio”) mas, também, para o seu controle, a sua mobilização projetiva e a sua mobilidade idealizante (o “tornar-se si próprio”). A identidade é um sistema estruturado, diferenciado. simultaneamente ancorado numa temporalidade passada (as raízes. a permanência), numa coordenação das condutas atuais e numa perspectiva legitimada (projeto, ideais, valores). Ela coordena identidades múltiplas, associadas à pessoa (identidade corporal, caracterial) ou ao grupo (papéis, estatutos). Todos estes elementos de definição remetem, no essencial, para uma dimensão individual da identidade. Sendo a passagem à identidade coletiva é, precisamente, um dos problemas para que a sociologia não tem resposta clara.
