Segundo o Robert, a comunidade é “um grupo social caracterizado pelo fato de viver em conjunto, possuir bens comuns. ter interesses e objetivos comuns”. A ideia de comunidade pressupõe que estão reunidas com o objetivo comum de um bem, normas e uma forna determinada de solidariedade entre os seus membros. O principal conceitualizador da noção de comunidade foi o sociólogo alemão Tönnies. Os etnólogos definem a comunidade como “uma unidade social restrita, vivendo em economia parcialmente fechada, num território de que retira o essencial da sua subsistência. Submete os seus membros a disciplinas coletivas, numa espécie de tensão constante no sentido da manutenção da sua coesão e a perpetuação da sua existência”. Se alargarmos este ponto de vista à escala da sociedade, é claro, para Raymond Boudon e François Bourricaud, que a comunidade se torna uma relação complexa, uma vez que associa, de forma muito frágil, sentimentos e atitudes heterogêneas; é aprendida, uma vez que é apenas graças a um processo de socialização, nunca acabado, que aprendemos a participar em comunidades solidárias. Nunca é pura, uma vez que os laços comunitários estão associados a situações de cálculo, de conflito ou mesmo de violência. É por isso que parece preferível falar mais de comunalização do que de comunidade, e procurar saber como se constituem e se mantêm certas solidariedades difusas. Um dos setores onde o processo de comunalização é mais visível é o das comunidades religiosas, que formam aquilo a que Weber chamava as comunidades emocionais. A carga afetiva que a ideia de organização comunitária requer é, com efeito, essencial. É por isso que R. Boudon e E Bourricaud concluem as suas observações sublinhando que: “quando a sobrevivência de um grupo se torna para os seus membros um objetivo sobreponível, a seus olhos, aos objetivos individuais que se consideram autorizados a perseguir, diremos que esse grupo pode constituir uma comunidade ou que está em vias de comunalização”.
